Brutal
Você sempre teve fascínio pelo próprio personagem. O homem inteligente. O homem profundo. O homem “diferente”. O homem que acreditava enxergar o mundo com uma lucidez rara enquanto todos os outros seriam rasos demais para compreendê-lo. Mas hoje eu entendo: não era amor pelo próprio reflexo. Era medo. Medo de encarar o vazio que existia por trás dele. Medo de descobrir que toda aquela grandiosidade cuidadosamente construída talvez fosse apenas uma armadura tentando esconder um homem profundamente ferido. E talvez tenha sido exatamente aí que começou sua ruína: você se agarrou tanto ao personagem porque, no fundo, nunca conseguiu acreditar plenamente no próprio valor sem precisar diminuir alguém ao lado. Porque pessoas verdadeiramente grandiosas não precisam esmagar ninguém para se sentirem grandes. Você tinha uma habilidade impressionante de ferir alguém e ainda sair da cena com a postura de quem estava sendo injustiçado pela reação da pessoa ferida. Uma espécie de alquimia moral grote...